terça-feira, 13 de agosto de 2019

Handmade – 7 dicas para não perder a mão no negócio!


O chamado segmento “handmade” nacional vem crescendo continuamente, com inúmeros fabricantes de diversos equipamentos e instrumentos musicais apresentando suas criações. A pequena escala de fabricação ou serviços, sempre com olhar atento do dono, é característica desse tipo de empresa. Apesar das qualidades que os produtos handmade apresentam no mercado nacional – e muitos até já exportam suas criações – a realidade de “tocar” um negócio pode ser um desafio para muitos artesãos.
Um erro comum de muitos profissionais é confundir seu talento nas atividades-fim (projeto e execução do instrumento ou equipamento em si) com a capacidade de gerenciar uma empresa. E, infelizmente, o descuido com a parte empresarial poderá levar a um mal resultado do empreendimento, independentemente do talento ou capacidade do artesão.
Neste artigo vamos apresentar 7 hábitos administrativos que vão manter a saúde financeira do seu empreendimento Handmande:
1) SEPARE AS CONTABILIDADES!
Se eu tivesse que fazer uma única recomendação neste artigo diria exatamente isso - nunca misture a contabilidade da empresa com a sua pessoal.
Mantenha um sistema de registro de todas as entradas (recebimentos por vendas ou serviços) e das saídas (custos de componentes, salários pagos para você e seus colaboradores, serviços que precisa contratar fora ou dentro da empresa, entre outros). Vale usar um software específico, uma planilha, um livro caixa de papel ou qualquer coisa ou método que te permita saber exatamente e a qualquer momento para onde vai cada real que circula na sua empresa.
Entretanto, todo esse trabalho só fará algum sentido se existir a disciplina de efetivamente separar as coisas. Boleto de fornecedor? Sai do caixa da empresa. Aluguel da oficina? Sai do caixa da empresa. Sua conta pessoal de luz ou condomínio? Sai da sua conta pessoal (vamos falar depois sobre isso - o que sua própria empresa deverá pagar a você por trabalhar nela).
Uma opção interessante é ter uma conta corrente específica para o movimento do seu negócio, e atualmente os bancos digitais oferecem até opções sem custo. Com essa separação física você terá muito mais controle sobre os movimentos e evitará perda de tempo para localizar uma conta já paga ou um recebimento em aberto. Lembre-se do ditado que “O gado engorda ao olho do dono”.
Outro ponto importante sobre separar a contabilidade pessoal e da empresa é que isso já te facilitará – em termos numéricos e disciplinares – para quando chegar a (temida) hora de formalizar seu negócio. Daí por diante um contador entrará em cena, mas não conte com ele para realizar o seu dever de casa: tudo que ele fará será reportar oficialmente ao Estado (Governo) sobre suas atividades. Se você mandar para ele dados errados, confusos ou incompletos, ele nada poderá fazer para te salvar. E se o Governo achar que você anda confundindo demais as coisas poderá efetivamente lhe impor severas multas e até acabar inviabilizando seu negócio. Isso tem o nome de “descaracterização de personalidade jurídica” e, portanto, a disciplina financeira desde o começo só trará benefícios e segurança ao seu empreendimento.
2) PRATIQUE O CONTROLE DO FLUXO DE CAIXA
Uma prática comum no segmento handmade é o recebimento de um adiantamento – ou sinal - no início do trabalho encomendado pelo cliente, com o pagamento do restante na entrega do instrumento, serviço ou equipamento. Considerando que o prazo de entrega pode ser de alguns dias a alguns meses tal prática é válida, mas requer uma disciplina especial.
Uma abordagem realista deve ser observada na quantidade de construções ou serviços simultâneos em execução, já que é fácil cair no “conto da sereia” e receber o sinal de mais pedidos do que se pode manejar e entregar no prazo. A tentação realmente é grande, pois mais pedidos aceitos significam mais dinheiro “disponível” para o giro do negócio, criando a ilusão de prosperidade imediata. Daí para essa grana passar para a conta pessoal do dono contabilizada como “lucro” do negócio é um pulo, e a bomba relógio da quebradeira estará armada.
A ferramenta administrativa que evitará deslizes e ilusões é o Fluxo de Caixa, que pode ser feito por planilhas ou estar incluso em algum software contábil. Usar o fluxo de caixa e alimentá-lo das informações irá apontar sua necessidade de caixa diária para cobrir os compromissos futuros assumidos, virtualmente te mostrando o seu “dia de quebra” – o dia em que, caso nada novo aconteça, você não terá dinheiro para pagar as contas da empresa. Com essa inteligente antecipação você nunca será pego de surpresa e poderá tomar decisões racionais antes do pepino se apresentar. Anote esse outro ditado – “felicidade é um fluxo de caixa positivo”. O Senai tem ótimos cursos e workshops sobre o Fluxo de Caixa – recomendo!
O que quebra uma empresa é não ter recursos para cobrir compromissos (contas) nos momentos exigidos, e isso pode ocorrer até com empresas que dão bons lucros. Seja esperto e fique sempre um passo a frente das necessidades do caixa.

3) PAGUE-SE UM SALÁRIO REALISTA
É fundamental entender que seu negócio e sua marca são maiores do que você mesmo. E que, apesar de soar estranho, você nada mais é que um empregado da sua empresa. E provavelmente será o empregado que mais trabalha, o que é mais exigido, o que chega antes e sai depois. Sabe aquela história onde os empresários tem uma vida tranquila e apenas observam seus funcionários trabalharem? Não é verdade. Pelo menos não entre os handmades brasileiros.
Pagar a si mesmo um salário fixo e estável ajuda no planejamento de longo prazo da sua empresa. Mas é importante que esse salário “caiba” na realidade financeira do negócio. É da natureza dos pequenos negócios passar por momentos de calmaria e tempestade, e toda poupança que puder fazer para passar os momentos difíceis será fundamental. Lembram-se do hábito do fluxo de caixa?
Uma prática comum nas empresas estabelecidas é ter o “pro-labore” fixo (o salário pago aos sócios que trabalham) acrescido das parcelas da divisão dos lucros das atividades. Atualmente o pro-labore tem incidência de tributação, enquanto que a divisão de lucros não tem. Desta forma o estudo da distribuição entre as duas modalidades poderá aliviar sua carga tributária.
Seja qual for o formato escolhido, pague-se um valor razoável que atenda a realidade das suas necessidades. Sendo assim, resista à tentação de tirar do caixa a grana excedente do mês – deixe-a lá para dar segurança e durma tranquilo sabendo que os boletos estarão cobertos e sua empresa estará apta a continuar navegando nos períodos de tempestade.
4) CUIDADO COM OS CUSTOS FIXOS
Custos fixos são aqueles que não variam – ou variam muito pouco – com a produção ou venda dos seus produtos ou serviços durante o mês. No geral, podemos colocar nessa categoria as despesas com aluguel e condomínio do espaço utilizado, água, telefone, internet, pacotes bancários, contador, salários pagos, entre outras despesas. Na maioria dos casos a conta de energia elétrica também pode ser considerada fixa, a não ser que sejam utilizados maquinários potentes que façam variar muito a conta de luz de acordo com sua utilização mensal.
Já percebemos a importância e a periculosidade dos custos fixos – eles vão existir sempre, caso você venda ou não durante o mês. Fica claro então que manter os custos fixos os mais baixos possíveis é uma excelente estratégia de sobrevivência.
Fique atento a todos os itens dessa categoria e pense em maneiras de sempre baixar esses valores. “Custos são como unhas – se não cortar sempre, crescem”, já dizia minha avó. Todo e qualquer real importa, pois trabalhar com custos elevados afetará sua competitividade (veremos mais detalhes sobre isso nos próximos tópicos).
Se você trabalha em casa, é correto que seu empreendimento pague um aluguel referente ao percentual utilizado do imóvel, bem como parte das demais contas compartilhadas. Sim, é isso que você entendeu: sua empresa (você em pessoa jurídica) pagará um valor pelo uso do espaço e facilidades que sua casa (você em pessoa física) oferece. Essa disciplina e noção de valores serão de grande importância para quando decidir crescer e buscar um espaço dedicado para seu negócio. O mesmo raciocínio valerá caso esteja dividindo um espaço de trabalho com outros empreendedores.
5) REDUZIR CONTINUAMENTE OS CUSTOS VARIÁVIES
Os custos variáveis são aqueles que estão ligados diretamente com a fabricação dos produtos ou com a prestação dos serviços da sua empresa. Nesta categoria podemos apontar os custos com os componentes, impostos sobre as vendas e serviços, comissões de vendas, mão de obra contratada por produção, fretes de envio de produção ou recebimento de matéria prima, marketing do produto, entre outros.
O preço final que sua empresa pratica é então altamente dependente dos custos variáveis. Não precisamos lembrar a importância de buscar – de forma ininterrupta – manter esses custos sob controle e, se possível, sempre baixá-los.  Algumas atitudes podem dar resultado, como buscar novos fornecedores, aumentar o lote de compra para baixar o preço unitário ou encontrar outros substitutos que mantenham a qualidade desejada.
O correto posicionamento em relação a categoria fiscal (simples, lucro presumido ou lucro real) da sua empresa será fundamental para manter os impostos os mais baixos possíveis. Fique atento também com o tipo de parcelamento que oferece nas vendas a crédito, pois as tarifas cobradas pelos facilitadores e integradores das lojas virtuais podem variar muito entre si e levar uma parte significativa da sua venda.
Assim como os fixos, os custos variáveis tem que ser observados de perto e constantemente. Uma pequena diferença unitária em uma compra de insumo pode parecer irrelevante, mas essa diferença em um lote de 100 peças fabricadas certamente será significativa!
6) SAIBA O VALOR DA SUA HORA MÍNIMA DE TRABALHO
Com todos os custos já conhecidos podemos agora calcular o valor mínimo da sua hora de trabalho. Esse valor será fundamental na hora de determinar o preço de venda dos seus produtos e serviços. Muitas empresas não têm esses valores determinados corretamente, e levam prejuízo toda vez que fazem uma venda. Acredite que isso é mais comum do que parece.
Vamos supor que você tenha um colaborador, e que ambos trabalham de segunda a sexta em 8 horas diárias. Na média mensal contamos 22 dias úteis, o que daria 176 horas (22 dias x 8 horas diárias) de trabalho mensais por pessoa, 352 horas para a dupla.
Lembram-se dos custos fixos? Vamos supor aqui que eles são de R$ 10.000,00 e pagam aluguel, água, luz, condomínio, salários dos dois (seu e de seu colaborador), e todas as demais despesas que sempre vão existir. Uma conta simples levará a R$ 10.000 / 352 horas = R$28,40 a hora.
Isso quer dizer, pura e simplesmente, que qualquer atividade que a empresa esteja realizando terá que ser remunerada em pelo menos R$ 28,40 por hora de atividade. Esse cálculo leva em conta o mundo ideal, com 100% do dia totalmente aproveitado e dedicado à execução das tarefas. Acredito que supor aos dois uma eficiência de 50% seja razoável - vamos descontar os tempos do banheiro, café, telefone, deslocamentos e os momentos em que sua empresa fica sem cliente para atender. Ficamos então com R$ 56,80 por hora e teremos uma boa margem de segurança – aqui é melhor errar para mais.
Fez um reparo que levou duas horas de um de vocês? Cobre no mínimo R$56,80 x 2 horas = R$ 113,60 acrescidos dos custos variáveis (componentes utilizados, impostos, custo financeiro, etc.). Sua marca fabrica um produto que leva o dia todo dos dois trabalhando para ser fabricado? Serão 16 horas (2 pessoas x 8 horas) x R$ 56,80 = R$ 908,80 acrescidos dos seus custos variáveis. Estes são apenas alguns exemplos de cálculo, e talvez você tenha que adaptá-los a sua realidade.
Claro que você tem a liberdade de cobrar mais pela hora trabalhada da sua equipe, e isso te dará maior folga financeira e retorno no negócio – e é aqui que o lucro real é gerado. O importante é saber o valor mínimo que você poderá operar para que nunca fique “pagando para trabalhar”. Só esteja atento para não se descolar demais da concorrência e acabar perdendo negócios por cobrar caro demais.
O tempo é finito, e a eficiência na conversão desse tempo em receita para bancar os custos fixos da sua empresa é o que vai determinar se ela será saudável e se gerará os lucros desejados.
7) PRECIFIQUE CORRETAMENTE SEU PRODUTO
Um dos maiores desafios na fabricação de forma artesanal de pequenas quantidades de instrumentos musicais, pedais de efeito, amplificadores ou aparelhos associados é definir seu preço de venda.
A história de todos os handmades e pequenos fabricantes tem mais ou menos o mesmo enredo: um hobby que foi levado a sério, talvez influenciado e estimulado por amigos que viram os objetos criados em primeira mão, com qualidade e potencial.
Os produtos (ou serviços) são então ofertados em um preço bem convidativo no começo – afinal, o profissional ainda não construiu uma reputação no mercado, sua produção é pequena e provavelmente (ainda) não é sua atividade profissional principal. O resultado? O mercado avança ferozmente, já que o produto parece bom, e o preço é melhor ainda. Uma avalanche de encomendas entra e agora a coisa fica séria.
Os métodos de produção, o tempo dedicado, os fornecedores, os clientes, as redes sociais, a relação com a família e amigos, enfim, tudo mudará na vida deste profissional. Ter recebido as encomendas de produtos que ele faz por amor (acredite, isso existe) trará a ele enormes desafios, que são em sua maioria inéditos para o jovem empreendedor.
Preço errado gera trabalho contínuo, exaustivo, erros de execução, saúde comprometida, perda de vínculo com amigos e familiares, queda da qualidade e, por fim, perda dos clientes tão duramente conquistados.
Considere as dicas anteriores e coloque preços competitivos e atraentes no seu negócio, mas que realmente sejam suficientes para manter a saúde financeira do seu empreendimento. As empresas, sejam grandes ou pequenas, cumprem sua função social ao gerar lucro e desenvolvimento, alimentando a cadeia produtiva e o comércio, além de oferecer emprego e renda para o País. Fique atento e mantenha a saúde financeira do seu negócio Handmade!

domingo, 10 de março de 2019

Review GIBSON GA40 (1959 - 2019) Les Paul Amp

Review do Amplificador GIBSON GA-40 Les Paul Amp de 1959, com fotos internas, circuitos, válvulas, esquema, história da música dos anos 50 e algumas gravações deste clássico amplificador valvulado de baixa potência.

Obrigado ao Maurício por ter cedido seu tempo e o belo aparelho para a revisão. Agradecimentos também a família de Marcus Rampazzo, que cuidou bem do equipamento e preservou uma bela parte da história e do legado do saudoso músico.

domingo, 11 de novembro de 2018

Curso de MIDI simplificado para guitarristas - Pedrone Yeti e Penta Midi - parte final

Para programar os comandos MIDI do modo 2 devemos seguir a mesma lógica anterior. Lembre que os comandos do modo 2 banco A aceso são os mesmo já programados para o modo 1. 
Vamos então gravar os comandos para o modo 2 banco A aceso, e para isso devemos ligar o YETi segurando o botão do loop 8, e daí seguir da mesma forma que fizemos para o modo 1.
Como sempre, temos um vídeo explicativo: 
 
 Para voltar ao modo original de fábrica bastará ligar o YETi pressionando o botão 6 - todos os comandos MIDI serão reestabelecidos aos valores originais. Veja o vídeo para não ter dúvidas:


Vejamos aqui como configurar um pedal Strymon para receber os sinais MIDI do YETI:

 
É isso! Esperamos ter ajudado para desmistificar o mundo MIDI e facilitar a vida e o uso dos pedais e periféricos com o Pedrone YETi. Grande abraço!
Ahhh...lembramos o Whatsapp da Pedrone (11) 94262-1509 - adicione e tenha resposta rápida para suas dúvidas e polêmicas a respeito do MIDI!

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Curso de MIDI simplificado para guitarristas - Pedrone Yeti e Penta Midi - parte 3

Antes de tratar dos detalhes de como alterar a configuração de comandos MIDI que o YETI emite, vamos falar de uma característica dos sistemas que ainda não tratamos: o conector MIDI THRU.
Imagine a possibilidade de ter 2 ou mais pedais que recebem MIDI, e poder ligá-los todos no seu YETI - como fazer ? Alguns pedais de efeitos tem a saída MIDI OUT, que precisa sempre ser configurada internamente no pedal para que esta saída passe a atuar também como emissor (repetidor) dos sinais do MIDI IN. Mas existe uma forma mais fácil, que é a ligação pelo MIDI THRU: este apenas repete o sinal que recebeu do MIDI IN e permite a ligação no MIDI IN do próximo pedal, que irá receber os mesmos comandos. Desta forma, pode-se partir de um único emissor (YETI) enviar sinais para diversos receptores MIDI, e se necessário escolher canais diferentes para cada um deles, selecionando quais comandos deverão ser aceitos em cada pedal.

Esta ilustração apresenta a ligação com alguns sintetizadores, e tenho certeza que será fácil entender a lógica "daisy chain" por trás disso:
 

Com esse detalhe bem compreendido, vamos em frente...

Já sabemos que o YETI sai de fábrica com o programa de comandos MIDI OUT que vimos na parte 2 deste artigo, e vamos agora aprender como alterá-los. Mas fique sabendo que, caso deseje voltar aos valores de fábrica, basta ligar o YETI com o botão do loop 6 apertado: ele vai piscar os leds vermelhos por 3 vezes e pronto - os valores de PROGRAM CHANGE originais foram restaurados.

Lembre disso: para voltar aos comandos MIDI originais, basta ligar o YETI com o botão 6 apertado - ele vai piscar e tudo volta ao que era. Simples assim.

Continuando...

Conseguimos bolar uma forma de inserir comandos program change de 0 até 127, além de escolher entre os canais 1 ou 2 para cada um dos programas disponíveis no YETI, inclusive repetindo comandos se desejar. Oferecemos essa versatilidade toda, mas em troca pedimos um pouco de atenção agora - e quem sabe alguma lembrança da matéria "eletrônica digital" e os números expressos na base binária. Sem susto, vai ser mais fácil do que parece.

Veja essa tabela - ela será a base do nosso raciocínio daqui para frente:

Função no programa
canal 1 ou 2 +64 +32 +16 +8 +4 +2 +1
botão do YETI aceso loop 8 loop 7 loop 6 loop 5 loop 4 loop 3 loop 2 loop 1

E se eu disser que essa configuração abaixo emite o comando PROGRAM CHANGE 2 no canal 1 ?
Função no programa canal 1 +2
botão do YETI loop 8 loop 7 loop 6 loop 5 loop 4 loop 3 loop 2 loop 1
apagado apagado apagado apagado apagado apagado aceso apagado

 Já esse aqui manda PROGRAM CHANGE 6 no canal 2:
Função no programa canal 2 +4 +2
botão do YETI loop 8 loop 7 loop 6 loop 5 loop 4 loop 3 loop 2 loop 1
aceso apagado apagado apagado apagado aceso aceso apagado

 Esse faz PROGRAM CHANGE 65 no canal 1:
Função no programa canal 1 +64 +1
botão do YETI loop 8 loop 7 loop 6 loop 5 loop 4 loop 3 loop 2 loop 1
apagado aceso apagado apagado apagado apagado  apagado aceso

Já ficou claro que o loop 8 sempre diz o canal usado: se estiver apagado será canal 1, e se estiver aceso será canal 2, certo ? Vamos a mais alguns exemplos.

Olha um PROGRAM CHANGE 127 no canal 2:
Função no programa canal 2 +64 +32 +16 +8 +4 +2 +1
botão do YETI loop 8 loop 7 loop 6 loop 5 loop 4 loop 3 loop 2 loop 1
aceso aceso aceso aceso aceso aceso aceso  aceso

 Esse é um PROGRAM CHANGE 35 no canal 1:
Função no programa canal 1 +32 +2 +1
botão do YETI loop 8 loop 7 loop 6 loop 5 loop 4 loop 3 loop 2 loop 1
apagado apagado aceso apagado apagado apagado aceso aceso

E esse é PROGRAM CHANGE 0 no canal 1 (nem todos os pedais aceitam esse comando):
Função no programa canal 1
botão do YETI loop 8 loop 7 loop 6 loop 5 loop 4 loop 3 loop 2 loop 1
apagado apagado apagado apagado apagado apagado apagado apagado

Deu para sacar ? Os loops de 1 a 7 tem um número associado, e quando estão ligados (acesos) esse número vai sendo somado. No final, o valor resultante dessa soma será o número do comando PROGRAM CHANGE. Como vimos antes, o loop 8 diz se o canal será o 1 (apagado) ou 2 (aceso).

Para ter acesso ao modo de gravação dos comandos MIDI dos modos 1 e 4 (esses modos emitem os mesmos comandos em cada foot pressionado) basta ligar o YETI com o botão do loop 7 pressionado. Os leds vermelhos piscam indicando o modo de programação e a festa começa.

Que tal um vídeo mostrando isso tudo ?




Na parte final do artigo vamos mostrar como programar os comandos MIDI do modo 2 e como voltar os comandos para os valores originais.


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sábado, 6 de outubro de 2018

Curso de MIDI simplificado para guitarristas - Pedrone Yeti e Penta Midi - parte 2

Para que os equipamentos MIDI conectados possam ter uma conversa útil ao nosso interesse, é importante que os comandos sejam enviados de forma a corresponder exatamente ao que desejamos e que cheguem ao equipamento certo - já que a mesma ordem pode ser aceita por um pedal e ignorada por um rack, por exemplo, e isso pode nos ser muito útil também.

Cabe aqui já explicar que, além do comando MIDI enviado (dizendo o que deve ser feito), existe o CANAL em que esse comando será enviado (dizendo quem deverá fazer). O protocolo MIDI permite o uso de até 16 canais de envio de comandos, e eles servem como "ruas" para o envio das mensagens. Exemplo...ao mandar o comando pelo canal 1 somente aqueles receptores programados para receber mensagens pelo canal 1 irão receber e executar a ordem - e todos os demais receptores programados para outros canais irão ignorar essa ordem. Esse recurso é útil quando temos vários equipamentos receptores ligados a um único emissor, por exemplo, e assim direcionar as ordens para cada um deles: basta especificar em cada receptor um canal diferente e pronto!

A maioria dos equipamentos já vem de fábrica com o canal 1 como padrão de recepção e emissão, e alguns permitem a alteração para outros canais (consulte o manual do seu pedal ou rack). Outra forma comum é a recepção OMNI, o que quer dizer que ele recebe comandos de todos os canais MIDI indistintamente. Agora que você já sabe do que se trata, vai ser fácil entender o manual, certo? Continuemos, então.

Os comandos MIDI são compostos de uma sequência de 2 ou 3 números. Vamos aqui dissecar o querido e útil comando PROGRAM CHANGE, que é composto de 2 números somente.

O primeiro número da sequência enviada informa que se trata do comando PROGRAM CHANGE e em que CANAL está sendo transmitido. Esse número varia de 192 (para o canal 1) a 208 (canal 16). Mas, por favor, não se preocupe com esses números - os pedais vão apenas perguntar o canal desejado na esmagadora maioria dos casos (ou a opção OMNI que atende a todos).

O segundo número transmitido é o relativo ao programa que desejamos, e pode ter valores de 0 a 127. Geralmente o programa 0 não é usado (mas pode, lembre disso) pelos pedais e racks, e então podemos raciocionar do 1 em diante. Um comando MIDI de sequência 192 001 irá mandar pelo canal 1 a ordem PROGRAM CHANGE 1, e os pedais com seus MIDI IN "sintonizados" no canal 1 (ou OMNI) irão mudar seu programa para o número 1. Já um comando 194 005 iria mandar pelo canal 3 o comando PROGRAM CHANGE 5. Mais simples impossível!

Agora que sabemos como mandar os comandos corretamente, vamos ver como fazer os pedais que devem receber esses comandos se comportarem como desejamos.

Os pedais mais completos permitem a edição dos comandos PROGRAM CHANGE que serão aceitos, e que associação deles fazer com os presets já salvos, além da especificação de canal. A pedaleira Nova System é um bom exemplo, pois permite associar seus "bancos" de programas (combinação de efeitos salvos na memória) aos comandos MIDI recebidos (posso programar que o banco A01 entra quando chega o comando PROGRAM CHANGE 2, que o banco C02 entra quando chega o comando PROGRAM CHANGE 15, e quaisquer outras combinações que desejar).

Fizemos até um vídeo específico para a Nova System:



Já pedais mais simples (e nem por isso menos úteis) já tem especificados de fábrica os comandos MIDI que irão receber e que banco de programa irão acionar nesses casos. Temos como exemplo o TC Flashback Delay, que trabalha no modo OMNI (recebe comandos de todos os canais) e que ao receber o PROGRAM CHANGE 1 aciona o preset A, PROGRAM CHANGE 2 aciona o preset B e PROGRAM CHANGE 3 aciona o preset C. Veja que com as facilidades MIDI esse pedal pode se comportar como se fossem 3!

O controlador PEDRONE YETI emite comandos PROGRAM CHANGE de acordo com o banco selecionado em seus foots. No modo padrão de fábrica temos a seguinte configuração (todos comandos enviados pelo canal 1):

 
            YETI TABELA MIDI OUT                            MODOS 1 e 4                         
     banco A  = program change 1                 banco D  = program change 4 banco G  = program change 7
     banco B  = program change 2 banco E  = program change 5       banco H  = program change 8
     
     banco C  = program change 3      banco F  = program change 6 apagado  = program change 0



        YETI TABELA MIDI OUT                           MODO 2                               "A"  APAGADO
     banco A  = APAGADO                 banco D  = program change 4 banco G  = program change 7
     banco B  = program change 2 banco E  = program change 5       banco H  = program change 8
     
     banco C  = program change 3      banco F  = program change 6 apagado  = program change 0




        YETI TABELA MIDI OUT                        MODO 2                             "A"  ACESO
     banco A  = ACESO                 banco D  = program change 12 banco G  = program change 15
     banco B  = program change 10 banco E  = program change 13       banco H  = program change 16
   
     banco C  = program change 11    banco F  = program change 14 apagado  = program change 17


O MODO 3 do YETI não emite sinais MIDI out.


Na próxima parte do artigo vamos aprender como alterar a configuração padrão do YETI, e permitir que ele envie outros comandos PROGRAM CHANGE ao pisar em cada um dos foots de programação.

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segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Curso de MIDI simplificado para guitarristas - Pedrone Yeti e Penta Midi - parte 1

SIM, E DAÍ QUE O YETI (e o penta-midi) TEM MIDI OUT ? EM QUE ISSO PODE ME AJUDAR ?

Respondendo rapidamente a pergunta acima, o fato do nosso Controlador YETI dispor da saída MIDI OUT poderá reduzir o tamanho e peso da sua pedaleira, e ao mesmo tempo multiplicar suas possibilidades de uso, coordenando os efeitos dos pedais "inteligentes" disponíveis no mercado atualmente. A ideia é basicamente fazer com um só pedal o que você precisaria de 3 ou mais pedais para fazer.
Os pedais "inteligentes", ou programáveis, podem assumir diferentes efeitos, em diferentes configurações. O mesmo pedal pode ser um reverb longo, e daqui a pouco ele se transforma em um reverb bem curto e logo depois vira um delay estilo "spring". Interessante, não ? E essas mudanças - obviamente - ocorrem nos momentos em que o músico deseja, coordenados com os demais pedais que usa.
Podemos imaginar que o reverb longo seja usado junto com um chorus para uma base, enquanto o reverb curto seja útil com o overdrive e que o delay fique bacana com um fuzz. Fica claro que não adianta o pedal ser inteligente se não pudermos fazer com que seu efeito entre na hora em que desejarmos. Esses pedais tem então, além dos ajustes normais, formas de se passar entre as combinações - quem já usou pedaleiras digitais vai reconhecer os termos "presets", "bancos" e demais. 
Temos então a possibilidade de salvar os diversos conjuntos de configurações, e cada um deles leva o nome de "programa" ou "preset". Cada programa guarda seus ajustes desejados, como tempo de delay, quantidade de feedback, o decay, entre outros parâmetros - é como se guardasse fotos dos ajustes do seu DD7 (dá-lhe Boss!) e pudesse instataneamente fazer com que o pedal "rodasse" os controles sozinhos de acordo com a sua necessidade para executar a música. 
Como se fazia então (antigamente...) para alternar de um delay longo com muito feedback para um curto "slapback" ? Das duas uma...ou se dispunha de dois pedais, com cada um ajustado de um jeito (e o sapateio correspondente para a troca entre eles), ou era necessário o ajuste direto no pedal DURANTE a execução, o que também demandava esforço e coordenação - além de alguma sorte. 
Então de cara já percebemos alguma vantagem no uso dos pedais de múltiplas funções - eles podem assumir diferentes efeitos em um mesmo equipamento, poupando espaço, peso, ligações, energia e dinheiro. Mas o melhor dos mundos seria mesmo que esse pedal inteligente "soubesse" exatamente os momentos em que ele precisaria alterar seus parâmetros - ou, mais precisamente - alternar entres os presets que gravamos nele. É agora que o protocolo MIDI entra em cena para nos ajudar. 
**** MIDI - Musical Instrument Digital Interface ****
O protocolo MIDI foi criado no final dos anos 1980, e basicamente trata da "linguagem" que equipamentos de áudio devem usar para se comunicar entre si dentro do âmbito digital. O MIDI permitiu que sequenciadores, teclados, baterias eletrônicas, sintetizadores, geradores de efeito, computadores e um monte de outros dispositivos pudessem trocar informações e fazer música. Em resumo, o MIDI trata de um cara que "manda" e de um cara que "obedece" - um equipamento envia um comando MIDI para que um outro execute aquele comando, tal como "toque a nota Dó da terceira oitava bem forte", ou "mude o timbre do sintetizador para clarineta", ou "abaixe o volume em 50% até ordem em contrário". 
E onde entra a parte que interessa aos usuários de pedais? Com certeza não desejam que ninguém toque nota alguma por eles, muito menos que mude seu timbre para "clarineta"... 
O protocolo MIDI dispõe de alguns grupos de comandos que executam as mais diversas funções dentro do contexto musical. Dentre esses grupos, um deles se destaca pela sua utilidade dentro do nosso universo guitarrístico - o PROGRAM CHANGE (ou PC). Lembram que nossos ajustes gravados nos pedais levavam o nome de "programa" ou "preset"? Nada mais simples que comandos MIDI chamados de PROGRAM CHANGE façam as mudanças que desejamos, não é mesmo?
O comando PROGRAM CHANGE é então emitido por um equipamento que dispõe de uma saída MIDI OUT (ele é um emissor de comandos), é transmitido por um cabo padrão midi e é recebido por outro equipamento que dispõe de uma entrada MIDI IN, que vai então executar a ordem dada. Já vou revelar aqui a surpresa... o Pedrone YETI é o equipamento emissor (dispõe do MIDI OUT), enquanto que os pedais inteligentes são os equipamentos receptores (com MIDI IN). 
Temos um vídeo do YETi controlando um amplificador Marshall que recebe sinais MIDI: 
E neste outro o YETi controla o Amplitube via interface USB/MIDI:
 Mas como eu "digo" para os dois meninos (o Yeti e o pedal) a forma que eles deverão se comportar ? Como eles vão saber o que eu desejo que eles façam quando eu pisar no foot A do Yeti, por exemplo ? Vamos às respostas destas e de outras questões na próxima parte desta matéria - até lá !

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